Os alemães devem moderar o discurso e ser mais modestos"
No início dos anos 80 foi uma importante colaboradora do então chanceler Helmut Kohl. Agora, Gertrud Höhler, ensaísta e prestigiada consultora económica e política, lança o livro Estratégia Merkel. O projecto Implacável da Chanceler de Ferro para Destruir a União Europeia, afirmando-se como uma voz crítica da política de Angela Merkel. Em entrevista ao PÚBLICO, Gertrud Höhler criticou a Alemanha por beneficiar da fraqueza dos países europeus e elogiou Portugal por preservar a soberania nacional. http://www.publico.pt/multimedia/video/os-alemaes-devem-moderar-o-discruso-e-ser-mais-modestos-20130711-192543
ou então no Correio da Manhã-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
No início dos anos 80 foi uma importante colaboradora do então chanceler Helmut Kohl. Agora, Gertrud Höhler, ensaísta e prestigiada consultora económica e política, lança o livro Estratégia Merkel. O projecto Implacável da Chanceler de Ferro para Destruir a União Europeia, afirmando-se como uma voz crítica da política de Angela Merkel. Em entrevista ao PÚBLICO, Gertrud Höhler criticou a Alemanha por beneficiar da fraqueza dos países europeus e elogiou Portugal por preservar a soberania nacional. http://www.publico.pt/multimedia/video/os-alemaes-devem-moderar-o-discruso-e-ser-mais-modestos-20130711-192543
ou então no Correio da Manhã-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Gertrud Höhler: "Merkel não tem um projeto para a Europa"
Consultora política, falou ao CM sobre o livro 'Estratégia Merkel' e diz que o bem-estar europeu não interessa à líder da Alemanha.
Correio da Manhã – Foi colaboradora de Helmut Köhl e neste livro acusa Merkel de o ter traído. Receia que as suas críticas a Merkel sejam vistas como vingança?
Gertrud Höhler – É um risco. Merkel chegou ao poder na CDU, após a era de Köhl. Entre os pretendentes à chefia do partido impôs-se a mais nova e a mais inesperada. Trouxe um estilo de política imprevisível, destituído de valores. E ninguém na CDU se atreveu a criticá-la. Eu, como independente, fiz isso e quem fala corre sempre o risco de ser acusado de ideias de vingança. No entanto, só falei pois percebi que a democracia estava em risco.
– Diz que José Sócrates foi o político que melhor lidou com o estilo de Merkel. Pensa que há semelhanças entre eles?
– Penso que havia um entendimento tácito entre ele e Merkel. Mas também se entendeu com Sarkozy e agora com Hollande, na França. O que lhe importa é o poder e não quem o exerce.
– Então, para os países que dependem de Berlim, nada se altera com a mudança de chefias...?
– Não. Ela é só o rosto mais visível de um sistema que envolve os líderes de outros países, mas, sendo a líder da maior potência europeia, cabia-lhe mostrar vontade de unir a Europa. Ora, tem feito o contrário. Ela não tem um projeto para a Europa.
– Diz que Merkel não tem ideologia nem convicções, mas ela aferra-se à austeridade e nada a demove. Como explica isso?
– Sim, ela persiste nessa via, contudo revela indiferença perante os factos. A austeridade não funcionou em lado nenhum. Agora, com países como a Grécia e Portugal sem mais onde poupar, faz sentido isso? A insensibilidade de Merkel é um traço muito vincado e é igual agora e no tempo de Sócrates.
– Se a definisse numa palavra diria que Merkel é uma ditadora?
- Descrevi o estilo dela como o de um silêncio autoritário. O que quis dizer é que ela, ao crescer na Alemanha de Leste, aprendeu o valor do silêncio e a intimidação do poder . Todavia, sublinho isto: o que viveu na juventude não justifica tudo. Ela tem, por personalidade, tendências intolerantes. Mas o que preocupa é que não lhe interessa o bem-estar da Europa.