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30.11.10

A POESIA DE FERNANDO PESSOA NO DIA DO 75º ANIVERSÁRIO DA SUA MORTE

O que nós vemos das coisas são as coisas.

Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?

Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos

Se ver e ouvir são ver e ouvir?



O essencial é saber ver,

Saber ver sem estar a pensar,

Saber ver quando se vê,

E nem pensar quando se vê,

Nem ver quando se pensa.



Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),

Isso exige um estudo profundo,

Uma aprendizagem de desaprender

E uma sequestração na liberdade daquele convento

De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas

E as flores as penitentes convictas de um só dia,

Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas

Nem as flores senão flores,

Sendo por isso que lhe chamamos estrelas e flores.

Alberto Caeiro

10.6.10

NEVOEIRO

QUINTO


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!
in, Mensagem de Fernando Pessoa

24.4.10

FALTA CUMPRIR-SE PORTUGAL

" QUEM TE SAGROU CRIOU-TE PORTUGUÊS,
DO MAR E NÓS EM TI NOS DEU SINAL.
CUMPRIU-SE O MAR, E O IMPÉRIO SE DESFEZ.
SENHOR, FALTA CUMPRIR-SE PORTUGAL."