Estão podres as palavras- de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbolos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.
Usá-las puras- como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
Estão podres: e com elas apodrece o mundo
e se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres
erguidas sexo de homem entre o céu e a terra.
Jorge de Sena